Há um dia em que se perde a fantasia. A cisma da beleza se esvai e se excede em razão. A fantasia extravasa, dissolve, recai. Há um dia em que tudo cai em demasia. Àqueles que viveram da ternura, um basta! Àqueles que remanesciam pela esperança, um basta! Àqueles que prendiam os nós, soltem-nos. Há um dia. À fantasia, ao bom senso, à ternura, à esperança, à docilidade: um basta. Aos que ficam, boa sorte. Aos que ficam, linhas tortas. Aos que ficam, amargor; mas não só. Aos que ficam, resistência, continência, contração, insígnia. Por conivência, é claro. À aparência: saúde! Não convém? És o que queres, não? Aos ímpios, nada. A fantasia derruba a todos. Acaba com todos. Há um dia. Perdem-na. Ganham, noutra, a consciência do desagrado, da soma. Ganham, no inesperado, a coragem, a contingência de ser gente. Ganham, noutra, mais uma personagem. Uma, sim. Uma. Uma personagem. Uma narrativa! Veja, uma nova história! Ganham-na. Carreguem-na, pois! Carreguem-na, elevem-na, não a posterguem. Or...
Stuck in reverse
Uma vez que se conhece tudo, qual o propósito da vida?