Pular para o conteúdo principal

Postagens

Somos todos comércio

A polissemia da significância de venda não se aplica apenas a tudo aquilo que perde valor, mas àquilo que não nos oferece retorno e que nos impede de escolher. A gente passa a vida se vendendo. Vendemos tudo que é importante e até aquilo que chega a ser letárgico, de tão fútil. Vendemos as nossas vontades em prol do consenso. Vendemos as horas de estudo para entrarmos em Universidades conceituadas. Em consequência, depois de graduados, passamos a vender as horas de trabalho em empresas maravilhosas ou horríveis, a fim de conseguirmos notas e mais notas, que nos banquem nos fins de semana, nas viagens feitas, em um consumismo sequencial e sem fundamentação, majoritariamente. Nós vendemos nosso tempo gastando com coisas tão superficiais quanto vossas maquiagens e sapatos lustrados. Vendemos nossa companhia com alguém que, em um ano, não lembrará nosso nome, no mínimo. Vendemos o bom senso quando nos sentimos ameaçados. Vendemos nosso nome a um registro. Vendemos nosso rumo, nossa c...

Desculpem

A verdade é que sempre gostei de ser do mundo. Sempre gostei de sentir o vento entrando pela janela do meu quarto fazendo com que eu me arrepiasse. Sentindo isso, eu tinha certeza de que possuía o mundo em minhas mãos. Sentindo isso, eu via a perspectiva a um passo de se concretizar.  Nas noites com ventos gelados, vendo os inúmeros apartamentos com luzes acesas, eu só tinha uma certeza: Eu sou do mundo. Não me prendam a nada, a ninguém. Deixem-me livre. Prender-me em algo, seja pelas mãos, pelos pés, em um abraço, num beijo, ou em um "até logo!" me desconserta, como se algo me roubasse a sanidade ou a liberdade. Como tenho medo de perdê-las! Quando vejo que os caminhos se afunilam e tendem a ser seletivos e definidos, eu me perco, saio da janela, fico com medo do vento e não consigo mais senti-lo com a mesma felicidade de antes.  No entanto, por mais que no fim do dia, sempre termino sozinha, nunca reclamei disso, porque, afinal de contas, essa solidão é uma virtu...

Ciclos

Esse muro que ergui Foi pra me defender Assim como a síndrome do pânico tentou me derrubar anos atrás e dela fiz um muro O isolamento aqui machuca Sei que é necessário Não o que quero, entende? Amanhã passa, ou talvez não. 31/01/17

Desconstrução

Em um dia desses, ela saiu através da porta da minha casa dizendo que não retornaria mais. Hoje, esse adeus completa alguns anos e o bom disso é que não sinto nada. Na verdade sinto: indiferença. Por a data estar fazendo aniversário, consigo lembrar de alguns flashes de pessoas que passaram pela minha vida e me aconselharam sobre situações assim. Elas diziam que pessoas partem e não devemos impedi-las. Além de me alertarem que, às vezes, é nosso dever parar de fazer questão e, olhe que não estou falando de casos amorosos. Falo sobre as relações com amigos, com a família, com nossos professores e vizinhos que, construímos tão fortes, por uma ótica, mas tão frágeis, por outra. Sobre essas relações, elas me diziam que chegaria um dia em que eu simplesmente pararia de ligar para o que fazem para mim. Elas falavam que um dia eu chegaria em casa e não teria mais que olhar o celular, com a esperança de ver uma mensagem -que satisfizesse meu ego, sabemos. Para elas, esse dia seria como um div...

"O que eu quero?!" - Tim Maia

Quando a noite vem, eu penso que  Nessas curvas de estradas mal conhecidas Vagamos em busca de uma correspondência social Pode ser uma pessoa, na pior das hipóteses, ou um lugar, na melhor delas Vagamos por anos entrando e saindo de vidas que nos ensinam, mas não preenchem Vagamos procurando aquilo que nos sossegue. Hoje eu entendo Tim Maia, não só ele queria sossego... Estamos todos sob o resplandecer da eletricidade  Sob a efervescência do entusiasmo Sob o sol queimando a pele Mas no fundo Nos domingos de manhã nos quais você acorda só, Na volta da festa, Na hora de ir dormir, Nessas horas queremos sossego Paz de espírito Completude Autossuficiência, talvez? Vagamos, virando esquinas e mais esquinas, frequentando bares e bares, com o intuito de encontrar uma essência que seja forte e satisfatoriamente suficiente para nos acalmar e passível de colocar nossos monstros para dormir. Hora de acordar,  Bom dia! Fran