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monólogo

e quando a ferida sangrar lembre: Que teus olhos transmitem a verdade Tuas palavras a essência e teus atos a clareza e que também lembre: Que minha verdade é explícita e nítida Minhas palavras, inconfundíveis e meus atos, eu. Lembre que eu fui eu. 07/11 02h09 Fran

Em uma madrugada de julho

O que separa quem detém daqueles que provêm? O que separa o homem que colhe seu sustento do lixo daquele executivo? O que separa o barraco na favela da casa de alto padrão? O que separa a educação do trabalho? O que separa aquele que trabalha com seus perfeitos arremates sequenciais daquele que cumpre suas funções tão bem protegidas em oito horas diárias?  O que separa a alta sociedade da baixa? O que separa a intelectualidade da ignorância?  E pior, o que separa essa primeira da arrogância, da prepotência? O que separa a criação da imitação? O que separa a virtude da reprodutibilidade? O que separa o dinamismo do comodismo?  O que separa o objetivo do subjetivo? O que separa a interpretação da intertextualidade? O que separa o contexto social da psicologia da multidão? O que separa os bons costumes do grotesco? E por fim, o que separa a sorte do azar? O certo do errado? O feio do bonito? Aliás, é real? O que separa essas dicotomias? O que separa a humanidade é ...

à noite

Eu nunca tive medo do escuro porque as coisas sempre fizeram mais sentido nele. A noite, por relação, também não me assusta. A noite, por mim, é entendida, sempre, como um momento de reflexão. Ela muito me ensinou e tem muito a me ensinar. A  noite, assim como o escuro, dá significância às coisas. Dá coerência, relevância, importância. As coisas à noite são mais plausíveis, menos abstratas e mais leves, de fato. À noite, diferentemente das manhãs e tardes, é a hora em que baixam-se as inquietudes e reinam-se as inseguranças. Há de convir, os momentos em que mais nos questionamos sobre as verdades da vida são os que geralmente nos encontramos sós e os que não nos exigem manifestação por complacência, digo, por conveniência. Ora, à noite. À noite somos origem de uma série de pequenos progressos e regressos, por autoconhecimento, pois só nela, há o entendimento como observador de si. Só a noite proporciona esse olhar que não atua, não é agente, mas assiste e promove mudanças. Não digo...

síntese

[...] eu o haveria de desiludir sem palavras, por um só olhar que é o espelho menos mentiroso da alma. Não uso disfarce, não dissimulo no rosto o que não sinto no coração. Sou sempre igual a mim mesma [...] De fato, os homens encontram seu supremo prazer naquilo que soa totalmente estranho. Sua vaidade tem interesse nisso; eles riem, aplaudem, movem as orelhas como os asnos para mostrar que entenderam muito bem. [...] Erasmo de Rotterdam em Elogio da Loucura

Blissful Solitude

O mundo está doente estamos todos doentes doentes por egoísmo doentes pela modernidade doentes pela solidão doentes pela falta de compreensão Essa aleatoriedade é tóxica Invasiva Fere cada vez mais Essa injeção carregada de pluralidades não demora pra fazer efeito A gigantesca oferta de informações, produtos e pessoas me cega e me tira meu norte Essa incompletude que aperta meu peito e tira a minha sanidade enfrenta as barreiras que o século XXI trouxe Felizes aqueles que não se sentem sós Felizes aqueles que não se sentem pressionados Felizes aqueles que não têm cobranças Felizes aqueles que nunca pensaram nisso. 01/07 16h49